ENSAIO RANDOMIZADO DE SUPLEMENTAÇÃO DE ÁCIDO FÓLICO NO SEGUNDO E TERCEIRO TRIMESTRES

 Abreviaturas – DTN: defeitos do tubo neural; AF: ácido fólico

O folato é necessário para processos de síntese de DNA e metilação, incluindo a remetilação de homocisteína em metionina, principal determinante das concentrações plasmáticas de homocisteína. Tendo em vista que a hiper-homocisteinemia tem sido associada ao aumento do risco de uma série de complicações na gravidez, como defeitos do tubo neural (DTN), já foi comprovado que a suplementação materna de ácido fólico (AF) protege o feto contra a primeira ocorrência e a recorrência de DTN no início da gravidez. Sendo assim, essa suplementação com AF é recomendada em todo o mundo antes e durante o início da gravidez.
Devido ao papel do AF após a 12ª semana gestacional ter sido pouco estudado ao longo dos anos, o objetivo desse artigo foi investigar as respostas do folato materno e homocisteína e os efeitos relacionados no recém-nascido resultantes da suplementação contínua de AF após o primeiro trimestre de gravidez. Para isso, foram selecionadas mulheres grávidas, de 18 a 35 anos, com gravidez sem complicações e que apresentaram suplementos de AF relatados no primeiro trimestre. Foram distribuídas, no início do segundo trimestre de gravidez, aleatoriamente, uma cápsula para cada, contendo 400 µg de AF ou placebo. No final do experimento, foi possível observar que a suplementação contínua com 400 µg de AF nos segundo e terceiro trimestres da gravidez aumentou o folato no sangue materno e no cordão umbilical, prevenindo o aumento da concentração de homocisteína que é observado ao final da gravidez. Além disso, os autores afirmam que, ao otimizar o estado do folato materno, a suplementação contínua de AF pode ser benéfica não apenas para a gravidez atual, mas também para uma posterior, especialmente em mulheres com um curto intervalo entre as gestações.